25 out Cirurgia laparoscópica versus ressecção completa no tratamento de metástases hepáticas: uma análise sobre o estudo OSLO-COMET
Prezados(as) doutores(as),
Compartilhamos mais uma de nossas newsletters científicas. Nesta edição, comparamos a cirurgia laparoscópica e a ressecção completa no tratamento de metástases hepáticas.
Um grupo de investigadores noruegueses enfocaram o procedimento cirúrgico, que é uma alternativa promissora para o tratamento da doença. Ao compará-la com a ressecção completa, obtiveram dados esclarecedores a partir de ensaio clínico com 280 pacientes. Confira os detalhes da publicação, veiculada no Annals of Surgery em julho de 2017.
E, dando continuidade às ações do Programa de Educação Médica Continuada do Instituto Oncoclínicas, temos o prazer de disponibilizar este material. Esperamos que seja de grande utilidade a todos os envolvidos no cuidado do paciente e nos colocamos à disposição.
Cirurgia laparoscópica versus ressecção completa no tratamento de metástases hepáticas: uma análise sobre o estudo OSLO-COMET
O fígado é o sítio mais comum de disseminação secundária para o câncer colorretal (CRC) metastático. Apesar dos avanços no tratamento oncológico sistêmico, a ressecção completa de metástases ainda é a única opção potencialmente curativa nesse cenário, com taxas de sobrevida em cinco anos de 40% a 57%. O uso rotineiro da quimioterapia neoadjuvante aumentou a proporção de pacientes candidatos à ressecção hepática, enquanto os avanços em técnicas cirúrgicas e cuidados perioperatórios diminuíram a mortalidade causada pela cirurgia hepática em 30 dias, de 24%, em 1970, para menos de 2%, nos dias atuais.
Embora a cirurgia laparoscópica para CRC primário esteja bem documentada e seja amplamente utilizada, a abordagem laparoscópica para as metástases hepáticas teve um desenvolvimento mais lento. Estudos anteriores sugeriram que a ressecção laparoscópica do fígado é oncologicamente equivalente à ressecção aberta, mas com vantagens em redução de complicações, tempo de internação hospitalar e menores custos hospitalares totais. Entretanto, a ressecção hepática laparoscópica nunca havia sido comparada com a aberta em um ensaio clínico randomizado.
Para preencher esta lacuna, um grupo de investigadores noruegueses do Hospital Universitário de Oslo desenvolveu o ensaio clínico randomizado OSLO-COMET. No período de fevereiro de 2012 a janeiro de 2016, foram recrutados 280 pacientes com metástases hepáticas ressecáveis de câncer colorretal e alocados em dois grupos de ressecção hepática: laparoscópica (n=133) e aberta (n=147). O desfecho primário avaliado foi complicações pós-operatórias dentro de 30 dias (grau 2 ou superior). Os desfechos secundários incluíram custo-efetividade, tempo de permanência hospitalar no pós-operatório, perda de sangue, tempo de operação e margens de ressecção.
Os resultados observados evidenciaram uma taxa de complicações pós-operatórias de 19% no grupo de cirurgia laparoscópica e 31% no grupo de cirurgia aberta (diferença de 12 pontos percentuais [intervalo de confiança de 95% 1,67-21,8; P=0,021]). O tempo de internação pós-operatória foi menor para a cirurgia laparoscópica (53 horas vs. 96 horas, P